Fitch Sobe Projeção do PIB Brasileiro para 2,1%, Mas Inflação Acima do Teto Complica o Caminho

Diego Velázquez
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Fitch Sobe Projeção do PIB Brasileiro para 2,1%, Mas Inflação Acima do Teto Complica o Caminho

Agência aponta dinamismo do mercado de trabalho e do agronegócio como motores do crescimento, enquanto juros devem encerrar o ano em patamar elevado

O Brasil está entre as poucas economias emergentes com revisão positiva de crescimento em 2026, segundo o relatório Global Economic Outlook da Fitch Ratings, divulgado em junho. A agência elevou a projeção de expansão do PIB brasileiro para 2,1% em 2026, ante 1,9% estimados em março, citando surpresas positivas nos dados de atividade e um mercado de trabalho aquecido. A notícia é boa na comparação com o cenário global, onde a maioria das economias viu suas perspectivas de crescimento cortadas, mas carrega um porém importante: o mesmo dinamismo que sustenta a atividade econômica está pressionando a inflação para além do teto da meta. Exame

O PIB cresceu 1,1% no período, ante apenas 0,3% no trimestre anterior. A expansão foi impulsionada por um mercado de trabalho historicamente forte, pelo dinamismo dos setores agropecuário e extrativista e por uma forte recuperação da formação bruta de capital fixo, que avançou 3,5%. Esses números descrevem uma economia que acelerou além do esperado, o que é, ao mesmo tempo, uma conquista e um complicador para a política monetária. Exame

Por que crescer mais pode ser um problema

A lógica pode parecer contraintuitiva, mas é central para entender o dilema que o Banco Central enfrenta agora. Quando a economia cresce com o mercado de trabalho aquecido, mais pessoas trabalham, mais pessoas consomem, mais empresas precisam contratar e aumentar salários, e os preços sobem. O mecanismo para conter esse ciclo é manter a taxa básica de juros, a Selic, em níveis restritivos, ou seja, altos o suficiente para desincentivar o crédito e frear o consumo.

O Copom iniciou o corte dos juros em março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificultou a queda da taxa em ritmo mais elevado. O resultado é que os cortes prometidos pelo Banco Central se tornaram mais tímidos do que o mercado esperava. Os analistas de mercado elevaram a estimativa para a taxa básica até o fim de 2026, de 13,75% ao ano para 14% ao ano. Agência BrasilAgência Brasil

A inflação, medida pelo IPCA, acelerou para 4,72% acumulado em 12 meses, segundo o IBGE, acima do teto da meta de 4,5%. A Fitch projeta que o IPCA encerre 2026 em 5%, rompendo o teto da banda de tolerância da meta, fixada em 3% com margem de 1,5 ponto percentual. O governo federal, por sua vez, revisou para cima sua própria projeção para o IPCA em 2026, de 3,7% para 4,5%, o que já reconhece que a inflação ficará pressionada ao longo do ano. Exame

O real e o dólar num contexto favorável

O real se valorizou de forma significativa em 2026, beneficiado pela fraqueza do dólar americano e pelo elevado diferencial de juros em relação à taxa dos Fed Funds. O dólar ronda atualmente o patamar de R$ 5, após ter chegado a R$ 4,89 em maio. Para o consumidor que viaja ao exterior ou compra produtos importados, a queda do dólar é positiva. Para as exportações agropecuárias, a situação é mais complexa: um real mais forte reduz a receita das empresas quando convertida em moeda nacional. Exame

Para o segundo semestre, a Fitch projeta depreciação gradual da moeda brasileira. As incertezas de política econômica ligadas às eleições de outubro, especialmente no campo fiscal, e o próprio ciclo de afrouxamento monetário devem pressionar o câmbio. Exame

O cenário que se desenha para o segundo semestre combina, portanto, crescimento acima do esperado, inflação acima da meta, juros em patamar elevado e um calendário eleitoral que tende a ampliar incertezas. Para empresas e investidores, o Brasil de 2026 oferece oportunidades reais mas dentro de um ambiente que exige leitura cuidadosa dos próximos movimentos do Banco Central e dos dados fiscais do governo federal nos meses que antecedem outubro.

Fontes: Agência Brasil, Exame

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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