Feridas que demoram para cicatrizar afetam quem convive com diabetes, pacientes acamados, pessoas com problemas circulatórios e uma parcela relevante da população idosa. Dr. Éverton da Costa Sagiorato, médico, reúne aqui o que a literatura já confirma sobre três recursos frequentemente citados nesse contexto: confrei, óleo de copaíba e colagenase, cada um com mecanismo de ação e nível de evidência diferentes.
Confrei: tradição popular com respaldo parcial na literatura
Confrei é usado há décadas na medicina popular brasileira para auxiliar em lesões de pele, e parte desse uso tradicional encontra respaldo em estudos que associam a planta a compostos com propriedades cicatrizantes e anti-inflamatórias. “É importante reforçar que a planta também contém substâncias que, em uso interno ou prolongado sobre a pele sem orientação adequada, podem apresentar toxicidade. Uso tradicional não significa uso livre de risco”, pondera Dr. Éverton da Costa Sagiorato.
Óleo de copaíba: propriedade anti-inflamatória documentada
Óleo de copaíba, extraído de árvores nativas da Amazônia, é um dos compostos naturais brasileiros mais estudados para uso em processos inflamatórios e cicatriciais. Sua composição inclui substâncias com ação anti-inflamatória relativamente bem documentada em estudos pré-clínicos, o que sustenta seu uso complementar em protocolos de cuidado com feridas, especialmente aquelas com componente inflamatório mais evidente.
Colagenase: ação enzimática no tecido desvitalizado
Diferente dos dois compostos anteriores, colagenase é uma enzima usada especificamente para desbridamento químico, o processo de remoção de tecido morto ou desvitalizado que impede a cicatrização adequada de uma ferida. “O mecanismo de ação dela é bem estabelecido: atua degradando seletivamente o colágeno desnaturado presente em tecido necrótico, sem agredir o tecido saudável ao redor, quando aplicada corretamente”, explica o médico.

Esses compostos podem substituir o tratamento médico convencional de uma ferida? Não. Segundo Dr. Éverton da Costa Sagiorato, confrei, óleo de copaíba e colagenase são recursos que podem compor um protocolo de cuidado com feridas, mas sua indicação, forma de uso e adequação a cada tipo de lesão devem ser sempre avaliadas por um profissional de saúde.
Por que a combinação de recursos costuma superar o uso isolado?
Na avaliação de Dr. Éverton da Costa Sagiorato, esses recursos raramente deveriam ser usados de forma isolada na prática clínica. Um protocolo de cuidado com ferida geralmente combina desbridamento adequado, controle de infecção quando presente, manutenção de ambiente úmido adequado à cicatrização e, em alguns casos, uso complementar de compostos com propriedade anti-inflamatória ou cicatrizante, sempre ajustado à característica específica da lesão.
O que considerar antes de recorrer a qualquer tratamento complementar?
Feridas que não cicatrizam dentro de um prazo esperado, ou que apresentam sinais de infecção, exigem avaliação médica antes de qualquer tentativa de tratamento com produtos naturais ou de venda livre. “Delongar essa avaliação em favor de um tratamento caseiro, especialmente em pacientes diabéticos ou com problema circulatório, pode agravar significativamente o quadro”, alerta Dr. Éverton da Costa Sagiorato.