A jornada das patentes da Liderroll: O que acontece entre o pedido e a aprovação nos Estados Unidos?

Diego Velázquez
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Paulo Roberto Gomes Fernandes

Paulo Roberto Gomes Fernandes, fundador e presidente da Liderroll, construiu ao longo de décadas um portfólio de patentes internacionais que posicionou a empresa como referência global em tecnologias para construção de dutos. Mas o resultado visível, o bloco encadernado do USPTO chegando à sede da empresa no Rio de Janeiro, esconde uma jornada longa, técnica e juridicamente exigente que poucos fora do setor conhecem em detalhes. Entender o que acontece entre o depósito de um pedido de patente e sua aprovação definitiva é entender parte essencial da estratégia da Liderroll.

O pedido de patente e a fase de exame técnico

Após o depósito do pedido junto ao USPTO, o processo de exame técnico pode levar anos. Um examinador especializado analisa se a invenção é nova, útil e não óbvia em relação ao que já existe no estado da arte mundial.

Paulo Roberto Gomes Fernandes esclarece que esse exame é rigoroso precisamente porque os Estados Unidos são a jurisdição de maior prestígio global em propriedade industrial. Ter uma patente aprovada pelo USPTO equivale, na prática, a um atestado de ineditismo reconhecido pela pesquisa mais abrangente do mundo.

A Liderroll passou por esse processo para múltiplas tecnologias, incluindo os roletes motrizes, os suportes côncavos para túneis TBM e o sistema inteligente para lançamento de tubos flexíveis. Cada pedido percorreu sua própria trajetória de análise, com particularidades técnicas e jurídicas distintas.

Contestações, recursos e a defesa técnica da invenção

O examinador do USPTO frequentemente emite objeções preliminares, questionando aspectos da reivindicação ou apontando anterioridades que, na avaliação do órgão, comprometeriam a novidade do invento. Esse momento é crítico e exige resposta técnica e jurídica precisa.

Para Paulo Roberto Gomes Fernandes, essa fase representou algumas das disputas mais intensas da história da empresa. Foi necessário demonstrar com evidências técnicas e jurídicas que nenhuma solução equivalente existia no mundo e que a criação era genuinamente brasileira.

Paulo Roberto Gomes Fernandes
Paulo Roberto Gomes Fernandes

A contestação da patente dos suportes côncavos para túneis TBM, por exemplo, exigiu demonstrações detalhadas sobre a geometria de autosuportação e sobre por que nenhum suporte existente produzia o mesmo efeito mecânico. A aprovação final representou não apenas um documento, mas uma vitória técnica documentada.

O reconhecimento em cascata para outros países

A aprovação pelo USPTO abre um caminho muito mais fluido para o reconhecimento em outras jurisdições. Países que receberam o pedido da Liderroll após a aprovação americana passaram a ter muito menor margem para contestação, dado que o órgão mais exigente do mundo já havia validado o ineditismo.

Paulo Roberto Gomes Fernandes menciona que essa dinâmica foi determinante para a obtenção de patentes na Índia, na China, no México, na Rússia e na Comunidade Europeia. Em alguns casos, como o da Índia, a aprovação americana reforçou os argumentos da empresa após anos de contestação pelo instituto indiano de propriedade industrial. A estratégia de usar os Estados Unidos como jurisdição âncora do portfólio de propriedade intelectual revelou-se tanto tecnicamente quanto comercialmente bem fundamentada.

Uma patente aprovada pelo USPTO é, para a Liderroll, muito mais do que um instrumento legal de proteção contra cópias. Ela funciona como credencial técnica perante operadoras internacionais que exigem comprovação de ineditismo antes de qualquer negociação de licenciamento ou contratação.

Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que cada patente obtida é também um marco na trajetória da empresa, um registro permanente de que engenheiros brasileiros criaram algo que o mundo ainda não havia pensado. Para uma empresa que compete globalmente a partir do Brasil, esse tipo de reconhecimento tem valor que transcende qualquer cálculo comercial imediato.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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