A demanda brasileira por combustíveis líquidos e gás liquefeito de petróleo (GLP) deve manter trajetória de crescimento nos próximos dois anos. A projeção consta na edição de outubro do estudo Perspectivas para o Mercado Brasileiro de Combustíveis no Curto Prazo, divulgado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 19 de outubro de 2026.
Segundo o levantamento, o consumo nacional deve incorporar aproximadamente 3 bilhões de litros em 2026, na comparação com o ano anterior. Para 2027, a expectativa é de uma expansão adicional de 4,2 bilhões de litros. Os números ajudam a dimensionar a pressão que poderá recair sobre produção, importações, transporte, armazenagem e distribuição de energia no país.
Diesel continua no centro da demanda
Entre os principais produtos analisados pela EPE está o diesel, combustível diretamente ligado ao transporte rodoviário de cargas, à circulação de mercadorias e a diversas atividades produtivas. A estimativa é que o consumo alcance 72,4 bilhões de litros em 2026, refletindo a importância do setor de transporte para o desempenho da economia brasileira.
Uma demanda maior por diesel exige planejamento de toda a cadeia de abastecimento. Isso inclui a disponibilidade do produto nas refinarias e unidades de produção, a movimentação por rodovias, ferrovias e terminais, além da capacidade de atendimento nos postos. Para transportadoras e produtores rurais, o comportamento do combustível também influencia custos operacionais e decisões sobre frete, plantio e distribuição.
Etanol ganha espaço no ciclo Otto
No segmento de combustíveis utilizados em veículos leves, reunido no chamado ciclo Otto, a EPE prevê demanda de 64,8 bilhões de litros em gasolina equivalente em 2026. A medida considera o conjunto formado por gasolina e etanol e permite observar o tamanho do mercado independentemente da participação específica de cada combustível.
O estudo aponta condições favoráveis para a oferta de etanol. Entre os fatores citados estão a expectativa de uma safra de cana-de-açúcar 2026/27 superior à anterior e o avanço da produção de etanol de milho. Esse movimento reforça a presença dos biocombustíveis na matriz brasileira e pode ampliar a capacidade de resposta do mercado diante de oscilações no petróleo e de mudanças no cenário internacional.
O crescimento projetado, no entanto, não significa que os preços seguirão automaticamente uma única direção. O valor pago pelo consumidor depende de diferentes componentes, como custos de produção, logística, tributos, condições de oferta e demanda e cotações internacionais. Nesse ambiente, políticas públicas também podem afetar o mercado. O Ministério da Fazenda divulgou, no mesmo período, informações sobre a prorrogação da desoneração da gasolina e do etanol.
Aviação e GLP também apresentam perspectiva de alta
As projeções da EPE incluem ainda o querosene de aviação, cuja demanda deve superar, em 2027, o recorde histórico registrado em 2014. A estimativa é de consumo acima de 7,5 bilhões de litros. O resultado projetado sinaliza uma recuperação ou expansão relevante do mercado aéreo, com possíveis efeitos sobre companhias aéreas, aeroportos, empresas de abastecimento e a logística associada ao transporte de passageiros e cargas.
O GLP aparece com tendência semelhante de crescimento. De acordo com a análise da EPE, o avanço está relacionado à elevação da renda disponível e ao baixo desemprego. O produto é utilizado tanto em residências quanto em estabelecimentos comerciais e atividades industriais, o que faz com que sua demanda acompanhe diferentes dimensões do consumo e da atividade econômica.
Planejamento será decisivo para a segurança energética
As estimativas não representam uma garantia de consumo, mas funcionam como referência para decisões de investimento e planejamento. Ao antecipar possíveis necessidades de combustíveis, o estudo pode apoiar empresas e órgãos públicos na avaliação de estoques, rotas de distribuição, capacidade de produção e riscos de desabastecimento.
Para o consumidor, o cenário reforça a importância de acompanhar não apenas o preço final nos postos, mas também os fatores que influenciam a formação desse valor. Para o setor produtivo, a combinação entre crescimento da demanda, expansão do etanol e necessidade de infraestrutura coloca a segurança energética no centro das decisões para 2026 e 2027.